A perícia BPC autismo tem duas partes: a perícia médica, com um médico do INSS, e a avaliação social, com uma assistente social. Para preparar seu filho, leve os laudos e relatórios originais, conte a rotina real da criança, inclusive os dias difíceis, e planeje o dia pensando no lado sensorial: chegar sem pressa, ter fone, um objeto de conforto e um lanche à mão.
Preparar a perícia do meu filho com a advogada, abre em nova aba
Como funcionam a perícia médica e a avaliação social do BPC?
No BPC, o INSS faz duas avaliações: a médica olha a saúde e as limitações do corpo e da mente, e a social olha as barreiras do dia a dia e o ambiente da família. O resultado sai da soma das duas.
A LOAS (Lei 8.742/1993) manda que a deficiência seja avaliada dessa forma, com perícia médica e avaliação social (LOAS no Planalto, abre em nova aba).
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) chama isso de avaliação biopsicossocial: saúde, ambiente e participação vistos juntos (Estatuto da Pessoa com Deficiência no Planalto, abre em nova aba).
Como é a perícia médica do BPC autismo?
O INSS faz a perícia médica com um médico perito, que lê os laudos, faz perguntas a você e observa a criança. Costuma ser uma conversa curta, em uma sala da agência.
O perito quer entender o impedimento de longo prazo e como ele limita a comunicação, a convivência e a autonomia do seu filho. Por isso o CID do transtorno do espectro autista (TEA) no laudo ajuda, mas não basta: o laudo precisa descrever as limitações.
Como é a avaliação social do BPC?
A avaliação social é feita por uma assistente social do INSS, que pergunta sobre a rotina, a escola, as terapias, o transporte, a casa e quem cuida da criança.
É nesse momento da avaliação social que aparecem as barreiras: a terapia que fica longe, a escola sem apoio, a mãe que deixou de trabalhar.
Seu filho precisa ir às duas?
Em regra, sim: a pessoa avaliada precisa estar presente, acompanhada do responsável. As duas avaliações podem cair em dias diferentes. Confira as datas no Meu INSS assim que forem marcadas.
Como preparar seu filho e os documentos para a perícia do BPC?
A preparação começa uma ou duas semanas antes. Ela tem duas frentes: deixar a criança mais segura com o que vai acontecer e montar uma pasta com tudo o que prova a rotina dela.
Como preparar a criança autista para o lugar novo?
Muitas crianças autistas lidam melhor com o que já conhecem. Contar antes, com calma, reduz o susto do lugar novo.
- Explique com palavras simples ou com figuras: "vamos a um lugar, uma pessoa vai conversar com a mamãe".
- Se puder, mostre uma foto da fachada da agência, que muitas vezes aparece nos mapas do celular.
- Peça ajuda à terapeuta para ensaiar a ida, como se faz com consultas e exames.
- Mantenha a rotina do dia o mais parecida possível: comida, sono e brinquedo de sempre.
O que levar na perícia do BPC autismo?
Leve uma pasta com os documentos em papel, na ordem, para não procurar nada na frente do perito com a criança no colo.
- Documento com foto do responsável e documento da criança.
- Laudo médico mais recente, com CID, limitações, terapias e CRM.
- Relatórios de fono, terapia ocupacional, psicologia e da escola.
- Receitas dos remédios em uso e exames que tiver.
- Comprovantes de gastos com o tratamento e de espera no SUS.
- Uma folha escrita por você com a rotina de um dia comum do seu filho.
Se o horário marcado cai bem na hora do sono ou da terapia, veja no Meu INSS ou pelo telefone 135 se dá para remarcar, sempre antes da data.
Que cuidados sensoriais ajudam no dia da perícia?
A agência do INSS costuma ter barulho, luz forte, gente e espera. Planejar o dia pensando nesses pontos ajuda seu filho a chegar à sala menos sobrecarregado.
| Situação no dia | Por que pesa para a criança | O que costuma ajudar |
|---|---|---|
| Barulho na sala de espera | Vozes, chamadas e televisão ao mesmo tempo | Fone abafador ou fone com a música preferida |
| Espera longa | Ficar parado sem saber quanto falta | Chegar no horário, sem muita antecedência, e avisar que a criança é autista |
| Lugar novo | Quebra da rotina e insegurança | Fotos da agência e conversa nos dias anteriores |
| Luz forte | Lâmpadas brancas incomodam muitas crianças | Boné ou óculos escuros, se a criança aceitar |
| Fome ou sede | Aumenta a irritação e as crises | Lanche e água de que ela goste, na bolsa |
| Contato com estranhos | Toque e perguntas de quem ela não conhece | Objeto de conforto e você sempre por perto |
A criança autista tem atendimento prioritário no INSS?
Tem. A pessoa com deficiência tem prioridade no atendimento em órgãos públicos, e a pessoa autista está nesse grupo.
A Lei Berenice Piana (Lei 12.764/2012) considera a pessoa com TEA pessoa com deficiência para todos os efeitos legais (Lei 12.764/2012 no Planalto, abre em nova aba). Ao chegar, avise na recepção que seu filho é autista e mostre a CIPTEA, se tiver.
O que fazer se seu filho tiver uma crise durante a avaliação?
Cuide do seu filho primeiro, sem pedir desculpas pela crise nem tentar esconder o que está acontecendo. Depois, conte ao perito que isso faz parte da rotina, com que frequência acontece e o que provoca.
O que dizer ao perito e à assistente social do INSS?
Conte um dia comum, do acordar ao dormir, com exemplos concretos. O avaliador precisa entender o que seu filho não faz sozinho, e não só o que ele faz bem.
Muitas mães, por orgulho do filho, falam só das conquistas. Isso é natural, mas na avaliação o foco são as limitações. Fale a verdade sem aumentar nada: a sinceridade é o que dá força ao seu relato.
Que exemplos ajudam o avaliador a entender a rotina?
Frases concretas sobre o que a criança não faz sozinha mostram a limitação melhor do que palavras soltas como "agitado" ou "difícil".
- "Ele não pede para ir ao banheiro; ainda usa fralda à noite."
- "Na escola, só fica na sala com a mediadora do lado."
- "Não come se o alimento muda de cor ou de textura."
- "Eu deixei o emprego porque são quatro terapias por semana."
O que evitar na conversa com o perito?
Evite respostas curtas como "ele é tranquilo" ou "dá para levar". Se seu filho estiver calmo na sala, diga que isso não é o comum e explique como ele fica em casa, na rua e na escola.
Quais erros mais atrapalham a perícia do BPC autismo?
Os erros que mais pesam são levar laudo antigo ou genérico e faltar à avaliação sem remarcar. Ambos podem levar a uma negativa que seria evitável.
- Levar só o laudo com o CID, sem a descrição das limitações e das terapias.
- Deixar os relatórios da escola e das terapias em casa por achar que não contam.
- Faltar à perícia ou à avaliação social sem remarcar antes da data.
- Falar só das conquistas do seu filho e esquecer os dias difíceis.
- Responder "ele é tranquilo" porque a criança estava calma naquele momento.
- Não conferir no Meu INSS as datas, que podem ser diferentes para cada avaliação.
Quando sai o resultado da perícia do BPC autismo?
O resultado aparece no Meu INSS depois que as duas avaliações terminam. Se for positivo, o pagamento começa; se for negativo, conta o prazo de 30 dias para recorrer.
Acompanhe o pedido pelo aplicativo e guarde a pasta da perícia. Ela será útil em qualquer passo seguinte, inclusive na revisão do benefício no futuro.
O que fazer se o BPC for negado depois da perícia?
Leia a carta com calma e veja o motivo: uma negativa na avaliação da deficiência pode ser contestada com laudos e relatórios mais completos.
O recurso é julgado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), e a família também pode, em muitos casos, levar o pedido à Justiça Federal. O passo a passo está no guia do BPC autismo negado.
Que outros direitos seu filho autista pode ter?
Enquanto espera, vale conhecer o que mais seu filho pode ter, dentro e fora do INSS. Veja o mapa dos benefícios do INSS para autismo.
Se tiver uma perícia marcada e quiser ajuda, envie seu caso para análise pelos canais de atendimento.
Perguntas frequentes sobre a perícia do BPC autismo
O que as mães mais perguntam nos dias antes da avaliação do filho.
Meu filho precisa ir à perícia do BPC?
Em regra, sim. A criança é a pessoa avaliada e vai acompanhada do responsável. Leve itens de conforto para ajudar na espera.
Quanto tempo dura a perícia do BPC autismo?
A conversa com o perito costuma ser curta. Por isso os laudos, os relatórios e a folha com a rotina do seu filho são tão importantes.
A avaliação social é feita no mesmo dia da perícia médica?
Nem sempre. As duas podem ser marcadas em dias diferentes. Confira cada data no Meu INSS e prepare a pasta para as duas.
E se meu filho tiver uma crise na sala?
Cuide dele primeiro. Depois, explique ao avaliador que crises fazem parte da rotina, com que frequência acontecem e o que costuma provocar.
Posso levar outra pessoa comigo na perícia?
Em geral, a criança vai com o responsável, e a ajuda de outro adulto na espera costuma ser bem-vinda. Confirme na agência como funciona a entrada na sala.