Guias de BPC

Laudo BPC autismo: o que precisa constar (checklist)

O laudo BPC autismo precisa trazer o diagnóstico de transtorno do espectro autista com o CID, explicar como o autismo limita a fala, a convivência, a rotina e a autonomia do seu filho, listar as terapias indicadas e ter data, assinatura, nome e CRM do médico. Um laudo que só diz "paciente com TEA" deixa o perito do INSS sem informação para avaliar, e isso aumenta o risco de negativa.

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Para que serve o laudo no pedido do BPC?

O laudo mostra ao INSS que seu filho tem um impedimento de longo prazo e como ele afeta a vida dele. É a prova que o perito lê antes de conversar com vocês.

O BPC da pessoa com deficiência está na LOAS, a Lei 8.742/1993 (texto da LOAS no Planalto, abre em nova aba). Para a criança autista, a lei exige duas coisas: baixa renda na família e um impedimento que dure pelo menos 2 anos e dificulte a participação dela na sociedade em igualdade com as outras crianças.

A Lei Berenice Piana (Lei 12.764/2012) já reconhece a pessoa autista como pessoa com deficiência para todos os efeitos (Lei 12.764/2012 no Planalto, abre em nova aba). Por isso o diagnóstico em si não costuma ser discutido. O que o INSS avalia é o tamanho das limitações e das barreiras no dia a dia.

O laudo é a única prova do BPC autismo?

Não, mas é a primeira que o INSS lê. Seu filho também passa pela perícia médica, com um médico do INSS, e pela avaliação social, com uma assistente social.

As duas avaliações seguem o modelo biopsicossocial do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015 no Planalto, abre em nova aba), que olha a saúde, o ambiente e as barreiras ao mesmo tempo.

O perito tem pouco tempo com a criança. Muitas vezes ela está calma naquele momento ou não mostra as crises que acontecem em casa. É o laudo que conta o que o perito não vai ver em poucos minutos.

O nível de suporte no laudo decide o BPC?

Não, o nível de suporte (1, 2 ou 3) ajuda, mas não define o resultado. Uma criança de nível 1 pode ter limitações sérias na escola e em casa.

Veja essa questão em detalhes no guia sobre o grau de autismo e o BPC.

O que precisa constar no laudo do BPC autismo?

Um laudo forte para o BPC tem quatro partes: identificação, diagnóstico, limitações do dia a dia e tratamento. Leve esta lista na próxima consulta e peça ao médico que confira item por item.

Checklist do escritório para o laudo do BPC autismo. Os exemplos são ilustrativos: o médico escreve com as palavras dele, a partir do que observa no seu filho.
Item do laudoPor que importaExemplo do que pode aparecer
Nome completo e data de nascimento da criançaLiga o laudo ao pedido sem dúvidaIgual à certidão de nascimento
Diagnóstico de TEA com o CIDConfirma o impedimento de saúdeCID-10 F84 ou CID-11 6A02, conforme o médico usar
Desde quando existe o quadroMostra que é de longo prazo"Acompanhado neste serviço desde 2023"
Limitações na comunicaçãoÉ o que o perito avalia na prática"Não forma frases; usa poucas palavras isoladas"
Limitações na convivência e no comportamentoMostra as barreiras fora de casa"Crises em ambientes com barulho; não tolera filas"
Autonomia nas tarefas do dia a diaMostra quanto depende de um adulto"Precisa de ajuda para comer, se vestir e no banheiro"
Terapias indicadas e frequênciaMostra o tamanho do cuidado necessário"Fono 2 vezes por semana; terapia ocupacional semanal"
Remédios em uso, se houverCompleta o quadro e os gastos da famíliaNome do remédio e dose
Expectativa de duraçãoReforça o impedimento de pelo menos 2 anos"Quadro permanente, sem previsão de alta"
Data, assinatura, carimbo, nome e CRMSem isso, o documento perde forçaCarimbo legível e data recente

Por que as limitações valem mais que o CID?

Porque o INSS não paga o BPC pelo diagnóstico, e sim pelo impedimento somado às barreiras. O CID diz o que seu filho tem; as limitações dizem como isso pesa na vida dele.

Peça ao médico exemplos concretos, do jeito que acontecem na sua casa. "Dificuldade de interação" é vago. "Não brinca com outras crianças e se machuca quando é contrariado" é uma informação que o perito consegue usar.

Como pedir ao médico um laudo mais completo?

Diga com clareza que o laudo é para o BPC do INSS e que precisa descrever as limitações do dia a dia. Muitos médicos fazem laudos curtos porque não sabem para que o documento será usado.

  • Leve anotado, em uma folha, o que seu filho não faz sozinho: comer, tomar banho, se vestir, ir ao banheiro.
  • Conte as crises dos últimos meses, com o que provocou cada uma.
  • Mostre os relatórios das terapias e da escola para o médico considerar no laudo.
  • Peça que o laudo seja datado no dia da consulta, e não copiado de um laudo antigo.

Quem pode fazer o laudo e quais relatórios ajudam?

O laudo é feito por um médico, de preferência o que acompanha seu filho, como o neuropediatra ou o psiquiatra infantil. Relatórios de outros profissionais não substituem o laudo, mas deixam o pedido muito mais forte.

O INSS aceita laudo do SUS ou de consulta particular. O que importa é o conteúdo e a assinatura do médico com CRM. Se a criança é acompanhada pelo SUS, peça o laudo na unidade de saúde, no CAPS infantil ou no centro de reabilitação onde ela é atendida.

Quais relatórios reforçam o laudo?

Os relatórios contam o que cada profissional vê toda semana. Juntos, eles mostram ao INSS uma rotina que não cabe em uma consulta.

Relatórios das terapias

Fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia descrevem o que a criança ainda não faz, o que mudou com o tratamento e a frequência das sessões. Peça que cada relatório tenha data, assinatura e o número do conselho do profissional.

Relatório da escola

A escola pode descrever se a criança precisa de mediador ou de apoio em sala, como reage aos colegas e se acompanha as atividades. Para muitas famílias, esse é o documento que mostra as barreiras fora de casa.

CIPTEA e outros documentos

A CIPTEA, a carteira da pessoa autista, ajuda no atendimento prioritário, mas não substitui o laudo. Receitas, exames e encaminhamentos antigos também podem ir junto, porque mostram há quanto tempo a família cuida do quadro.

Quais erros no laudo levam à negativa?

Os erros mais comuns são laudos curtos, antigos ou sem as limitações do dia a dia. Quase todos podem ser corrigidos antes do pedido, com uma nova consulta.

  • Laudo com uma linha só: "paciente com TEA, CID F84", sem descrever as limitações.
  • Laudo antigo, de quando a criança era bem menor, que não mostra a situação de hoje.
  • Documento sem assinatura, sem carimbo legível ou sem o número do CRM.
  • Laudo que diz "quadro leve" sem explicar o que isso significa na rotina.
  • Foto do laudo cortada, escura ou tremida anexada no Meu INSS.
  • Ir à perícia sem os originais dos laudos e dos relatórios.

Não existe na lei um prazo de validade fixo para o laudo, mas um documento recente mostra a situação atual do seu filho e evita dúvida do perito.

Um laudo completo basta para ter o BPC?

Não, o BPC também depende da renda por pessoa da casa e do CadÚnico atualizado. A inscrição e a atualização são feitas no CRAS da sua cidade.

Se você trabalha e tem dúvida se o seu salário atrapalha, leia se a mãe pode trabalhar e o filho autista receber o BPC.

Como entregar o laudo ao INSS?

O laudo entra duas vezes no processo: anexado no pedido pelo Meu INSS e levado em papel no dia da perícia. Prepare as duas versões antes de dar entrada.

  1. Digitalize com boa luz

    Use o celular com a folha inteira na tela, sem sombra e sem cortar o carimbo. Salve em PDF, se conseguir.

  2. Anexe no pedido do BPC

    No Meu INSS, anexe o laudo e cada relatório como um documento separado, com nomes que deixem claro o que é cada um.

  3. Monte uma pasta com os originais

    Coloque em ordem: laudo mais recente, relatórios das terapias, relatório da escola, receitas e exames.

  4. Leve tudo à perícia e à avaliação social

    Entregue os originais se o perito pedir e guarde cópias em casa. Nunca deixe a família sem uma cópia do laudo.

Se você preferir que a advogada organize os documentos com você, veja os horários de atendimento pelo WhatsApp. Tudo é feito pelo celular, sem precisar sair de casa com seu filho.

Perguntas frequentes sobre o laudo do BPC autismo

As dúvidas que as mães mais trazem para a Dra. Luzani quando recebem o laudo do filho.

Qual médico pode fazer o laudo para o BPC autismo?

Qualquer médico com CRM pode assinar o laudo, mas o ideal é o profissional que acompanha seu filho, como o neuropediatra ou o psiquiatra infantil. O laudo pode ser do SUS ou particular.

O laudo precisa ter o CID?

Sim, o CID ajuda a identificar o diagnóstico. Mas ele sozinho é pouco: o laudo precisa descrever como o autismo limita a rotina, a comunicação e a autonomia da criança.

Laudo de nível 1 serve para pedir o BPC?

Serve. O nível de suporte não decide sozinho: o INSS avalia as limitações e as barreiras do dia a dia. Por isso o laudo de nível 1 precisa ser ainda mais detalhado.

Relatório da escola substitui o laudo médico?

Não. O laudo é do médico e é obrigatório. O relatório da escola e os das terapias entram como provas extras e mostram as barreiras que a criança enfrenta fora de casa.

O BPC foi negado. Um novo laudo ajuda?

Pode ajudar, principalmente se a negativa foi pela avaliação da deficiência. Um laudo mais completo pode ir no recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (30 dias da ciência da decisão), em um novo pedido ou numa ação no Juizado Especial Federal, conforme o motivo da negativa.

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Dra. Luzani Silva · OAB-BA 71.796

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